E então ele veio: o primeiro dia de aula da Nana.
Acordei estranha... Ela só acordou as 10:50. Sim, ela acorda
tarde! Assim que acordou eu disse: Filha, vamos no parquinho?
A resposta dela e meu primeiro choque, logo de manhã: Tá,mãe, mas depois eu vou pra escola, né?
Em outros tempos a resposta dela seria: Oba! Perfeito, mãe, vamos!!!!
Eu engoli seco e respondi: Claro, minha filha, claro!
Quis aproveitar o dia lindo e ensolarado para passear com
ela no parquinho aqui perto, onde sempre vamos.
Parecia que o dia brincava com ela, o sol dourando mais
ainda seus cachinhos dourados. Parece que ele sabia que o dia era especial.
Voltamos pra casa, dei banho, dei almoço, dei banho de novo.
Coloquei uniforme e esperamos o papai chegar. Ela já
animadíssima, me chamando pra irmos logo.
Entramos no carro, ela com um sorrisão e eu ansiosa.
Chegamos no colégio e ela, de mãos dadas com a gente, eu de
um lado e o papai do outro, repetia: oba, oba, oba!!!!
Eu seguia, surpreendentemente, com um sorriso enorme no
rosto. Eu sorria um pouco de nervoso, mas mais ainda por vê-la esbanjando
alegria. Meu coração, à medida que eu ia subindo as rampas até chegar no andar
dela, ia acelerando, quase saía pela boca! Meus olhos chegaram a marejar pela
emoção. Não era medo, insegurança, preocupação, nada disso. Era emoção mesmo,
pura, daquelas que a gente sabe que só vive uma vez na vida. É quando cai a
ficha e a gente sabe que está vivendo um rito, um momento único, importante,
especial. Mas a alegria dela era tanta que mantive o sorrisão junto com ela.
Chegamos no andar, finalmente. A salinha dela, no final
do corredor. Antes, passamos por um portal, onde se via em letras alegres e
coloridas: SEJA BEM VINDO. A mensagem era para os alunos, mas eu que me senti
acolhida, rs.
Entramos na sala, repleta de cores e brinquedos e crianças
lindas! Ela entrou sorrindo, a professora veio nos receber, conhecemos as duas
auxiliares. Tinham algumas crianças lanchando e a Nana tb quis lanchar. A
professora a levou ao banheirinho dentro da própria sala de aula, e a ajudou a
lavar as mãos. Essa parte ela adorou, pois ama abrir torneiras e brincar com
água. E eu, lógico, como boa mãe coruja e fotógrafa que sou, ia registrando
tudo. Ela sentou e começou a comer. Séria. Observadora. E eu senti um medo
grande dela não interagir com as outras crianças. Até que a professora veio nos
pedir para sairmos, deixá-los a sós.
Fomos todos para o corredor e assistimos, num misto de
ansiedade, nervosismo, expectativa, curiosidade, emoção, dentre outras coisas,
a porta se fechando a nossa frente!
Mas... na porta tinha um visor e a gente seguia espiando e
espiando!
Vi a Nana brincando com os brinquedinhos, super atenta e
feliz. Me preocupei em vê-la sozinha, mas ficava tranquila por vê-la totalmente
a vontade. Logo, ela estava com seus coleguinhas: Clara, Gabriel, Daniel, outra
Clara, Murilo... os primeiros nomes que aprendi.
Aproveitei para conversar um pouco com algumas mães lá fora.
Algumas, como eu, marinheiras de primeira viagem. Outras, não. “Mas a emoção é
a mesma, fiz isso há 11 anos atrás”, me disse a mãe do Daniel. E aqui eu faço um
parênteses porque nesse universo materno sempre cometemos isso: esquecemos dos
nossos próprios nomes e nos tornamos “a mãe de...”, e afins. Então, só depois
me dei conta que conversei com “a mãe do Daniel”, “a mãe da Clara”, “a mãe da
outra Clara”, “a vó do Gabriel”... Juro que amanhã perguntarei os nomes de
todos! Juro!!!! Descobri que a vó do Gabriel é nossa vizinha e que
provavelmente ele e Nana já brincaram juntos no parquinho aqui perto!
De repente, a porta se abre e aparece a professora com uma
das crianças, a Clara, chorando. E daqui a pouco, a outra Clara, chorando de
soluçar. As mães entraram com elas na sala e lá permaneceram. Meu coração ficou
partido e eu quase chorei, não sei como elas não choraram! Talvez eu é que seja
manteiga derretida demais, rs.
A hora até que passou mais rápido que eu pensava. Nem doeu muito: minha filha estava ali, a poucos metros de nós, rodeada de outras crianças, de brinquedos, livros,novas "tias" e, o mais importante, feliz!
A porta se abre. É hora de levarmos nossos
filhos pra casa! Eu tenho um sentimento bom dentro de mim, misto de alegria e talvez um certo alívio em ver que deu tudo certo, preparo o melhor sorriso para recebê-la quando... a professora vem nos dizer: Olha, a Mariana NÃO QUER IR
EMBORA, ela quer ficar brincando, se quiserem podem deixá-la!
COMO ASSIM???????????
Como disse Rodrigo, pai dela, a maioria das pessoas têm medo
que os filhos não queiram entrar na sala, no primeiro dia de aula. A Mariana
não queria sair da sala quando a aula acabou!
Conversamos com ela, explicamos que tinha acabado, ela se
despediu da professora, deu beijo e abraço e já saindo, espontaneamente, disse:
Tchau, gente, amanhã eu volto!!!!!
E pra fechar, depois de descermos eu, papai Rodrigo e
ela correndo pelas rampas da escola como três crianças, quando saímos ela me
fala, com o maior sorriso do mundo: Mãe, muito legal a minha escola!

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