Era uma vez uma menininha que estava indo pela primeira vez
à escola.
No primeiro dia de aula conheceu suas professoras, seus
novos amiguinhos, a salinha de aula onde deveria passar muitos bons momentos.
Quantos brinquedos, quantos livros, quanta novidade, quanta coisa boa!
Tanto, que no primeiro dia ela não queria ir embora. Seus
pais a chamavam e ela continuava brincando e brincando, até que cedeu e foi
embora de mãos dadas com eles, mas sem esquecer de dizer o quanto havia gostado
de tudo! Um sorriso do tamanho do mundo, olhinhos brilhando!
No segundo dia, a primeira aventura! Iriam de ônibus para o
colégio, ela e sua mãe. Claro que sua mãe se atrapalhou, levando bolsa,
mochila, ela própria. Foi engraçado e ela deu risadas, enquanto a mãe estava
nervosa tentando passar por aquela roleta apertada, que para ela parecia mais uma
brincadeira!
Ela estava brincando numa das motoquinhas, carregando uma
boneca de carona, quando viu que os pais haviam chegado para buscá-la! Mas
já?! Tudo que ela queria era poder ficar mais um pouco. Tudo que ela queria era
continuar brincando com aquela boneca. A "dita cuja" em si não tinha nada demais: uma bebê careca, com um corpo de pano e roupa já colada a ele. Muito sem graça, na visão da mãe. Mas óbvio que ela enxergou "algo mais" ali e caiu de amores pela nova amiguinha. Despediu-se da professora e o papai e a
mamãe perceberam que ela vinha contrariada. A mãe conversou, dizendo que hoje
tinha acabado, mas que amanhã ela voltaria. Ela permaneceu de cara triste e sem
falar nada. O pai percebeu e perguntou: "Filha, é por causa da bonequinha?" Ela
só balançou a cabeça afirmativamente, ao que a mãe prontamente explicou que ali
era a casa da bonequinha e que amanhã ela voltaria à escola e elas poderiam
brincar juntas de novo.
Terceiro dia de aula. A coisa estava ficando cada dia mais
gostosa! Agora ela já tinha um amiguinho especial, o Biel, ele morava pertinho
e podiam ir juntos para a escola. Ela só não entendia o porquê de estar tão bom
e a mãe querer levá-la embora! Começou a correr pela sala, ignorando os pedidos
da mãe e da professora, que diziam que a aula tinha acabado e que ela tinha que
ir. Ela não entendia como podia acabar, se a escola estava ali, ela estava ali,
queria ficar, queria brincar, ir embora pra que? Até que ouviu a tia Gabriela
fazendo uma proposta irrecusável: uma bala e ela iria embora! Aceitou
prontamente e saiu feliz, chupando a bala e de mãos dadas com a mãe.
Geralmente, os pais têm medo dos primeiros dias na escola de
seus filhos pequenos, com medo deles não
se adaptarem, não quererem ficar, Agora, a preocupação da sua mãe era outra: como
tirá-la de lá, como convencê-la a ir embora. Para isso, tiveram uma longa
conversa. No ônibus, voltando pra casa, e em casa também. A mãe explicava que
quando a professora dissesse que a aula tinha acabado, que ela deveria ir
embora. Que quando a mamãe ou o papai a chamassem, ela deveria vir. “Entendi,
mamãe, tá bom! Não vou mais fazer malcriação!” A mãe ficava feliz, dizia que
era isso mesmo, que ela era uma boa menina, mas no fundo ficava com medo do
outro dia.
E veio o outro dia, o quarto dia de aula. Antes de sair de
casa, a mãe perguntou: “Quando a professora falar que acabou a aula, o que nós
vamos fazer?” E ela respondeu prontamente: “Comer balaaaaaa!” A mãe disse que
não era nada disso, que a tia Gabi tinha sido boazinha e tinha dado uma bala
pra ela, mas que era só aquele dia, que ela não ia dar bala todo dia e que
quando acabasse a aula o que elas iriam fazer era ir embora!
Novamente a mãe preocupada. Chegou na escola e conversou com
a professora, contou tudo e pediu que ela não desse bala, pois não poderiam
criar essa condição para que ela quisesse ir embora.
A ida para a escola foi bem divertida nesse dia. Ela foi de
mãos dadas com o amiguinho Biel e na entrada da escola, passou o bracinho em
seu pescoço, ele passou o dele em sua cinturinha, e entraram abraçados na
escola, uns amores!
Quando a mãe voltou para pegá-la, encontrou-a junto com
outras crianças, pilotando uma motoquinha. Chamou a primeira vez e nada. Ela
fingia que não ouvia os chamados! Levantou da motoquinha e foi para o cavalinho
roxo, que a coleguinha tinha acabado de sair. A mãe, todas as professoras, o
amiguinho Biel, a vovó do amiguinho... todo mundo chamando-a para ir embora e
ela ignorando os pedidos solenemente! Até que, provavelmente cansada de tanta
pressão, saiu correndo de volta para dentro da sala de aula!
Aí ela já tinha passado dos limites e a mãe começou a ficar
muito nervosa. Primeiro, ela chamou. Depois chegou perto e conversou. Fingiu
que ia embora, deu tchau. Ficou brava. Nada, nada, nada, nada adiantava uma vez
que ela estava decidida: “Eu não vou embora, vou morar aqui na escola”, e se
deitou num colchonete na sala de aula, totalmente à vontade. As professoras
entraram em ação, disseram que iriam embora e que ela iria ficar sozinha. O que ela fez? Deu tchau pra todo mundo e continuou deitada, firme e forte. Então, a mãe combinou com as professoras e
disse pra ela: “Então tá bom, tchau, pode ficar, nós vamos sair e fechar a
escola e você vai ficar aí dentro, tá bom?” , perguntou. “Tá bom!” Respondeu
ela. Fecharam a porta. Alguns segundos de apreensão. A mãe espiando pela
janelinha da porta e ela continuava deitada no colchonete. Até que alguns
minutinhos se passaram e ouviram o chamado lá de dentro. A mãe prontamente
entrou e a “salvou”.
Nesse dia, a mãe voltou pra casa bem triste e chateada!
Conversou muito com ela, explicou e mostrou o quanto estava triste e pediu,
novamente, para que ela obedecesse. A mãe também pediu que o papai conversasse
com ela e ela prometeu aos dois que não ia fazer mais isso.
No quinto dia de aula, sexta-feira, último da semana, lá foi
ela e o amiguinho de mãozinhas dadas novamente. Dessa vez, o pai as levaria de
carro e aproveitaram para dar uma carona para o amiguinho. Esse é o dia da
novidade na escola e eles podem levar algum brinquedo. Ela escolheu sua boneca
Mônica e disse para a mãe: “Eu vou emprestar minha ‘filha’ para meus
coleguinhas!”. Começou emprestando para o Biel dentro do carro. E foram de
mãozinhas dadas dentro do carro e trocando carinhos!
Mas foi só chegar na escola, que os dois começaram a correr!
A mãe e a avó dos dois tentando contê-los, com medo de que se machucassem. Mas
foi justamente quando pararam de correr e a mãe quis tirar uma foto dos dois
abraçadinhos, que aconteceu isso que viria a ser o “primeiro susto” na escola.
Eles foram se abraçar, mas se abraçaram tão fortemente, que desequilibraram e
caíram no chão, ela por cima dele, que bateu a cabeça! Ele começou a chorar e
ela, um pouco assustada e vendo o amigo chorando, abriu o berreiro também. Ela
costuma ser duro na queda e não chorar quando cai ou acontece algo do tipo, só
se realmente tiver se machucado. Ela não se machucou, mas ela também não pode
ver alguém chorando que chora também e provavelmente por esse motivo que ela tenha
chorado mais.
Chegou a hora de ir embora e novamente o coração da mãe
ficou apertadinho! Encontrou-a no parquinho. Todas as crianças estavam com uma
viseira de papel colorido, com uma colagem de volta às aulas e “colorido” por
elas. A mãe ficou toda boba: o primeiro trabalhinho da escola que ela via!!!!!
As crianças estavam brincando pelo parquinho nas
motoquinhas, nos cavalinhos e a mãe a encontrou na parte que tem areia,
segurando uma pazinha. Gelou, pensando que seria difícil, uma vez que ela adora
parquinho e ainda mais brincar na areia! Mas, dessa vez, assim que ela chamou,
a menininha sorridente de cachinhos dourados veio correndo. Deu beijo no papai,
na mamãe e viu que os dois tinham ficado felizes e ela ficou também.
Dentro do carro, ela fala sorrindo para os dois: "Eu obedeci, não fiz malcriação!"
Os dias passaram rapidamente, a primeira semana se foi e com ela a certeza de que essa pequena menina de cabelos dourados e muita personalidade sabe muito bem o que quer e mais ainda do que gosta. É certo que ela gostou tanto da escola, quanto dos amiguinhos, das professoras, das brincadeiras. Mais certo ainda que a adaptação dela foi mais fácil do que qualquer um poderia imaginar e que cada dia que virá trará mais coisas boas e alegrias em sua vidinha1
Menina lindaa... ri muito das historias... que Deus conserve vc assim, sempre querendo ir a escola, sempre empolgada... e sem fazer malcriação.... lindonaaa
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